Prever quais diabéticos irão desenvolver as principais complicações

Fonte: diabetesincontrol / Diabetologia setembro de 2014
Notícia publicada em: 12.09.2014
Autor: Professor Assistente Sabita Soedamah-Muthu, Universidade de Wageningen, Holanda, e colaboradores.
Um novo modelo é apresentado para prever quais pacientes com Diabetes Tipo 1 irão desenvolver maiores complicações ….

 

A pesquisa foi apresentada pelo Professor Assistente Sabita Soedamah-Muthu, Universidade de Wageningen, Holanda, e colaboradores.

Para criar o modelo, dados de 1.973 participantes com Diabetes Tipo 1 foram analisados ,e acompanhados durante sete anos no estudo prospectivo da  EURODIAB Prospective Complications Study,e os principais e mais fortes fatores de resultado de prognóstico combinados em um modelo de computador.

Os resultados considerados como doença grave compreenderam : grave doença coronariana, acidente vascular cerebral, insuficiência renal em estágio final , amputações, cegueira e mortalidade por qualquer causa.

Um total de 95 pacientes com Diabetes Tipo 1 do EURODIAB desenvolveram graves complicações durante o acompanhamento.

Os principais resultados considerados para fatores de prognósticos foram: idade, hemoglobina glicada,relação cintura-quadril , relação albumina / creatinina e HDL -colesterol .

O desempenho do modelo foi testado em três coortes prospectivas diferentes:

O Pittsburgh Epidemiology  of Diabetes Complications study (EDC, USA, n=554), o Finnish Diabetic Nephropathy study (FinnDiane, Finland, n=2,999) e o Coronary Artery Calcification in Type 1 Diabetes study (CACTI, USA, n=580).

Após correções para diferenças sistemáticas entre os riscos previstos e as grandes complicações observados em algumas coortes, o modelo foi capaz de prever com precisão o risco dos pacientes.

“O modelo é capaz de distinguir quais os pacientes que irão desenvolver as principais complicações e aqueles pacientes que não irão desenvolver complicações “, dizem os autores.

“Após a coleta de informações sobre a idade dos pacientes, hemoglobina glicada, relação cintura-quadril, relação albumina-creatinina e HDL colesterol os profissionais de saúde poderão entrar com essas informações no quadro da pontuação e irá automaticamente prever os riscos absolutos de complicações graves para os próximos 3, 5 e 7 em pacientes com Diabetes Tipo 1. ”

Os autores acrescentaram que : “as previsões de risco absoluto em cada paciente com Diabetes Tipo 1 são importantes para identificar em tempo hábil os pacientes com alto risco de desenvolver grandes complicações , a fim de viabilizar estratégias para prevenir o desenvolvimento de tais complicações e reduzir os custos de saúde.

Além disso, os modelos de prognóstico. têm um papel importante para a informação do paciente e para selecionar populações de alto risco para ensaios clínicos randomizados (ECR). ”

Os autores destacam que o modelo pode ser usado para ajudar pacientes de alto risco, tratando todos os fatores de risco modificáveis. “Prevendo as principais complicações permite a criação de um perfil de risco para cada paciente com Diabetes Tipo 1”. “Os médicos podem considerar a intervenção ativa nos pacientes identificados como de alto risco.Tais intervenções podem incluir a intensificação do regime de insulina e do controle  de risco cardiovascular seguindo as orientações existentes. Mais detalhadamente, essas descobertas irão ajudar a identificar aqueles com maior risco e, assim, ajudar a focar a intervenção. Exemplos de tais intervenções são de insulina, medicamentos orais para redução da glicemia, inibidores da ECA, bloqueadores dos receptores da angiotensina, estatinas, dieta e modificação e controle do estilo de vida . ”

Os pesquisadores concluíram:

“Um modelo do prognóstico já está disponível para avaliar o risco absoluto de grandes complicações em pacientes com Diabetes Tipo 1. O modelo do prognóstico pode ser útil para fornecer estimativas individuais de risco de grandes complicações. As estimativas de risco podem orientar as recomendações de vigilância informando os pacientes e permitir as análises de ensaios clínicos de forma mais eficiente “.

Pontos Relevantes:
  • O modelo foi capaz de distinguir os pacientes que irão desenvolver as principais complicações e os pacientes que não irão desenvolver complicações.
  • O modelo pode ser usado para ajudar os pacientes com risco elevado para o tratamento de todos os fatores de risco modificáveis
  • Os resultados irão ajudar a identificar aqueles com maior risco e, assim, ajudar a focar a intervenção
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